| História - Aspectos Gerais |
|

“Nas lezírias, situavam os antigos o Paraíso ... a ilha das nascentes de água”
(Diodoro Sículo - séc. I a.C.)

Brasão dos Barões de Vila Franca de Xira (1823)
Vila Franca de Xira pertence ao Distrito e Diocese de Lisboa. Foi do Padroado Real, da Comenda da Ordem de Cristo e da Casa dos Marqueses de Arronches, tendo sido seus Alcaides os Condes de Pombeiro. Foi também elevado à categoria de Baronato no século XIX.
.jpg)
O Velho Maioral
Além da população urbana, existem grupos etnicamente definíveis, autóctones ou aqui estabelecidos há longas décadas. A saber: Campinos – trabalhadores rurais, nas lezírias, tendo como uma das suas funções principais, tomar conta do gado bravo, tomam o seu nome das campinas, ou seja, das lezírias; Varinos – população piscatória, originária de Murtosa, Ovar e Meruge; Avieiros – população piscatória, originária da Vieira de Leiria; Gaibéus e Ratinhos – população de trabalho rural originária das Beiras e Alentejo.

Éguas correndo à desfilada
Esta área produz muito trigo, cevada e milho, mas também girassol, tomate e melão. Havendo destas culturas referências, já nos Forais e nas Memórias Paroquiais de 1758. Cria-se também muito gado bovino e cavalar.
Sabe-se que a primeira ocupação de Vila Franca de Xira ocorre no Neolítico final e Calcolítico, havendo vestígios arqueológicos de uso funerário nas Grutas da Pedra Furada.

Vila Franca - século XIV

Brasão dos Reis de Portugal, no tempo de D: Sancho I,
concessor do Foral de Povos
Entrando na Idade Média, Povos recebe foral de D. Sancho I, em 1195. Desta época, há ainda sepulturas antropomórficas escavadas na rocha, no Monte do Senhor da Boa Morte.

Brasão da Concessora do Foral de Vila Franca,
Dona Froila Hermiges de Riba-Douro
Anos depois, em 1212, Dona Froila Hermiges, dos de Riba-Douro, concede foral às povoações de Cira e Vila Franca, entregando, em 1228, a Freguesia aos cuidados dos Templários. Sabemos que por ter sido Templária passou para a Ordem de Cristo, com a dissolução da Ordem, e que passou aos domínios da Coroa, por ser da Ordem de Cristo.
O Cabo da Boa Esperança - mapa mundi do século XVI
Há também a organização, por parte de D. João II, de, pelo menos uma armada no Tejo, junto de Vila Franca e Povos, em 1487, por haver peste em Lisboa. Uma delas havia de dobrar o Cabo da Boa Esperança, abrindo espaço para a descoberta do Caminho marítimo para a Índia.Foi liderada por Bartolomeu Dias.

Cristovão Colombo diante da Rainha - gravura do séc XIX
Salienta-se os últimos meses de 1496, em que D. João II aqui viveu; as temporadas que aqui passava a rainha D. Leonor, numa das quais recebeu a visita de Cristóvão Colombo; a fundação da Santa Misericórdia de Vila Franca de Xira, em 1563; a construção do pelourinho e chafariz por ordem de D. João III e finalmente o facto de, em 1670, ter servido de corte a D. Pedro II e a D. Maria Francisca de Sabóia.
Vila Franca de Xira, no século XVII - gravura do italiano Pier Maria Baldi
Voltamos a ter referências nas Memórias Paroquiais de 1758, ficando a saber quão grande foi o dano do terramoto de 1755, numa povoação onde habitavam mais de 4000 pessoas, cujos alcaides eram os Condes de Pombeiro, que tinha uma importante Feira Franca (que ainda hoje se faz, em Outubro, com referências desde 1645, embora deva ter raízes medievais), onde existia uma imponente igreja gótica, com inúmeros altares.

Igreja Matriz de Vila Franca,
primitivamente dedicada a Santa Maria de Xira
e depois a São Vicente (destruída pelo terramoto de 1755)
No início do século XIX, Vila Franca de Xira voltou a padecer, notavelmente, com as Invasões Francesas, no que delas significou destruição, pilhagem, sobretudo, na de 1808, de Junot e, na de 1810, de Massena.

Incursão Napoleónica (1808)
Em 1820, sabemos que esteve aqui temporariamente o Governo Português, no antigo Palácio Garcez Palha. Daqui só voltamos a ter notícias em 1823.

Gravura popular representando a Vilafrancada
Neste ano, Vila Franca será palco de um golpe de estado, vulgarmente conhecido como Vilafrancada ou Campanha da Poeira. Este movimento de restabelecimento do estado absoluto resulta da transferência, a 26 de Maio do Pronunciamento de infantaria nº 23 para Almada. Ao chegar a Vila Franca começaram a dar vivas a D. João VI, rei absoluto e tomam conta da Vila. A eles se junta o Infante D. Miguel, mais um regimento de cavalaria (a aceitação popular percebe-se uma vez que D. Miguel era muito amado pelo povo desta terra, porque, desde muito novo, vinha correr toiros a Vila Franca).

Vila Franca no início do século XX
Do ponto de vista administrativo, Vila Franca de Xira integra as fecundas Lezírias com os seus mouchões adjacentes, cuja exploração agrícola sempre influenciou o trabalho e a vida das gentes do Tejo, o que lhe valeu, em termos simbólicos, o título, nos anos 30, de Capital da Lezíria Portuguesa.
A lezíria de Vila Franca, na revista oitocentista "La Lidia"
No século XX, acentuou-se a feição urbana e comercial da Cidade, convertendo-se em centro nevrálgico de comunicações e serviços, sem nunca perder as suas raízes de simplicidade, de acolhimento aberto e conservação pelo seu amor ao Tejo, às Lezírias, ao Fado e à Tauromaquia.
Alves Redol e os Neo-Realistas de Vila Franca,
num passeio de barco no Tejo (anos 40)
Desde os anos 30, Vila Franca foi também o berço de um novo movimento literário, o Neo-Realismo, que pretendia a denúncia das duras realidades laborais, políticas e sociais, com vista à criação de uma nova realidade social, mais equilibrada e assente em princípios de justiça social., associada a uma oposição anti-totalitária.



Brasões dos Fundadores de Vila Franca:
a lenda alude aos cavaleiros francos Childe Rolin e William Schire
como desbravadores do território de Vila Franca,
nos primeiros anos da reconquista
(o brasão do centro é o da Ordem do Templo,
que haveria de assegurar acoesão comunitária depois de 1228)
Rumando ao futuro, a Cidade de Vila Franca de Xira - elevada a essa condição a 28 de Junho de 1984, reporta-se ainda hoje ao modelo medieval, em que certas vilas eram chamadas francas por terem sido povoadas por cavaleiros francos ou por terem feiras francas, onde, por privilégio, não se cobravam certos impostos, com vista à fixação de população, ao aliciamento de divisas e a tudo o que fosse factor de crescimento urbano.

Uma feira franca (iluminura medieval)
Deste modelo franco, que depressa se torna maior que uma só região, responsável por fazer das Vilas Francas, na Idade Média, um mercado comum, de "unidade na diversidade", perfeitamente actual com a vivência de uma Europa Comunitária, nasceu a União das Vilas Francas da Europa.