| Cidade Taurina - Sevilha Portuguesa |
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É comum ouvir-se chamar-se "Sevilha Portuguesa" a Vila Franca de Xira. De facto é uma expressão muito utilizada, que, para os mais incautos, pode gerar indignações de bairrismo menos esclarecidas, do género: "Porquê SEVILHA PORTUGUESA para Vila Franca de Xira? Porque não VILA FRANCA DE XIRA ESPANHOLA para Sevilha?"
Na verdade, as comparações entre comunidades são comuns, a partir do século XVII, altura em que começa a nascer o turismo, na sua percepção mais cosmopolita (veja-se por exemplo que é assim que nasce a mais antiga representação de Vila Franca, no século XVII, quando Cosme de Médicis decide visitar Portugal e Espanha acompanhado do artista Pier Maria Baldi). É a chamada Aproximação de Identidades.

Assim, o viajante, identificando traços comuns nas identidades das pessoas e gentes por onde passavam, ia fazendo alusões comparativas, de modo a enaltecer não só traços identitários comuns, como a qualidade ou definição das suas vivências.
É assim que, a partir do século XIX, Aveiro é chamada de "Veneza Portuguesa", Sintra, a "Baviera Portuguesa", etc. É curioso que o termo de "Sevilha Portuguesa" era no século XVIII associado a Braga, dadas as manifestações quase cénicas da Semana Santa e da vivência religiosa, tendo posteriormente caído em desuso.
Vila Franca como "Sevilha Portuguesa" tem uma história curiosa, nascida do destaque de um dos seus filhos, que brilhou pelas artes tauromáquicas. A história conta-se em duas penadas e percebe a comparação pelas vivências taurinas de Vila Franca e Sevilha.
Em 1892, actuou no Coliseu dos Recreios, o bandarilheiro de Vila Franca de Xira, José Ribeiro Tomé, quando era empresário José Duarte Costa, também vilafranquense, grande aficionado, que mantinha um espectáculo chamado "FEIRA DE SEVILHA", no qual se lidavam bezerros.
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O espectáculo, semelhante a um concurso, recorria a exibição na lide, havendo várias eliminatórias. Certa noite, foi Tomé foi tão ovacionado que o público começou a bater palmas e a clamar "Sevilha Portuguesa", quando descobriram que era um português e não um espanhol que toureava com tanto garbo.
No fim transpirou para os jornais que o público exigia que se desse esse cognome a terra lusitana, que era capaz de produzir tais talentos taurinos. A notícia correu e, em Vila Franca, um bairrismo exacerbado fez nos dias seguintes colocar panos pintados com o dístico "Sevilha Portuguesa".
A Expresão pegou e o próprio Tomé ficou sempre conhecido como o Pai da "Sevilha Portuguesa", até mesmo depois de se ter despedido das praças em 1931. Fica assim explicado...